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Em 16/10/2020

Inflação para os mais pobres legitima desigualdade, diz economista

Inflação para os mais pobres legitima desigualdade, diz economista

O processo de inflação legitima o estado da desigualdade na distribuição de renda, afirma o economista o Paulo Kliass. Kliass comentou as divulgações sucessivas de índices inflacionários que mostram que a parcela mais pobre da população é a mais afetada pela alta de preços.

Dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) mostraram que o fenômeno continuou em setembro. Enquanto a variação de preços registrada para a população mais pobre (rendimento domiciliar inferior a R$ 1.650) ficou em 0,98% no mês passado, enquanto na parcela de maior poder aquisitivo (renda a partir de R$ 16.509,66) foi de 0,29%. Os alimentos e bebidas responderam por quase 75% da taxa de inflação dos mais pobres.

No acumulado em 12 meses, de outubro de 2019 a setembro de 2020, a inflação cresceu em todas as faixas da população, mas foi maior (4,3%) para a classe de renda muito baixa e menor para a parcela mais rica (1,8%).

Paulo Kliass explica que a percepção da inflação dentro de cada grupo depende da cesta de consumo, ou seja, do conjunto de bens e serviços adquiridos mensalmente. Por ser menor, a renda dos mais pobres vai quase toda para a satisfação de necessidades básicas, como alimentação e moradia, itens que registraram alta de preços nos últimos meses. Por outro lado, a cesta das famílias de maior renda é mais diversificada e, por isso, há maior chance de alívio do processo inflacionário.

“A população de alta renda tem outros tipos de bens cujos preços cresceram menos, proporcionalmente ao que está na cesta de consumo da população de renda muito baixa. A inflação acentua esse processo [de desigualdade]. A população de alta renda pode continuar consumindo, e o que ela está consumindo está crescendo menos que para a população de baixa renda”, afirma Kliass.

Um exemplo é que, durante a pandemia, diminuíram os preços de mensalidades de cursos privados. Como as escolas estavam dando aulas a distância, algumas concederam descontos, que acabaram se refletindo nos índices inflacionários. O movimento beneficiou famílias com uma condição financeira melhor, que podem pagar por uma escola ou faculdade particular. (Portal Vermelho)


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