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Em 28/07/2020

Ricardo Coutinho se diz vítima de lawfare: “Intenção é me incriminar”

Denunciado pelo Ministério Público, ex-governador da Paraíba critica métodos da Lava Jato na Operação Calvário

Alvo da Operação Calvário, que o acusa de chefiar uma organização criminosa responsável por desviar 134 milhões de reais da área da saúde, Ricardo Coutinho tenta, há um ano, apontar as falhas e omissões da denúncia do Ministério Público. Detido por 35 horas no fim de 2019, destituído da guarda de um filho, triturado por notícias falsas, o ex-governador da Paraíba diz que as acusações contra ele seguem o padrão da Lava Jato e se considera vítima de perseguição política. “Nas delações, as palavras mágicas eram Ricardo Coutinho”, afirma. “Quem citou o meu nome está solto.”

CartaCapital: O Ministério Público apresentou cinco denúncias contra o senhor desde o ano passado. Os procuradores o acusam de chefiar uma organização criminosa para desviar dinheiro da saúde e de ser dono de 49%, por meio de laranjas, do laboratório farmacêutico estatal da Paraíba. Como se defende?

Ricardo Coutinho: Todas as acusações não são amparadas em absolutamente nada, a não ser em teses do Ministério Público. Na terceira página da denúncia sobre o laboratório, eles dizem que eu sou o dono da tal empresa de São Paulo, sócia do Lifesa desde 2012. Na vigésima página, a versão muda. Os promotores escrevem que eu não seria o dono, mas teria 5% do laboratório. Na própria denúncia eles se desdizem. No fim das contas, não conseguem apresentar uma única prova. É uma acusação totalmente inválida. Não tenho nenhuma relação com essa empresa de São Paulo, nem sequer a visitei.

 

“Não há provas contra mim. A intenção nunca foi investigar nada, mas me incriminar”

CC: O senhor se considera um perseguido político?

RC: Na Paraíba, a Operação Calvário seguiu os mesmos padrões da Lava Jato, a começar pelas prisões por tempo indeterminado. Os detidos só eram ouvidos se mostrassem disposição de fazer delações premiadas. A intenção não era investigar nada, mas chegar a mim. As palavras mágicas eram Ricardo Coutinho. Conseguiram cinco delações. Todos estão soltos, ninguém usa tornozeleira eletrônica. Um desses delatores, que nunca teve uma reunião comigo, nunca me viu pessoalmente, acabou por dizer: Ricardo Vieira Coutinho era chefe da organização criminosa. Ninguém me chama pelo nome inteiro. Tudo convergiu para sepultar um projeto político.

CC: Como o Ministério Público chegou à cifra de 134 milhões de reais desviados?

RC: No início de 2019, quando os promotores começaram a vazar as informações da Calvário, falava-se em 1,1 bilhão de reais em desvios. Isso é o equivalente a todo o orçamento de oito anos do Hospital de Trauma de João Pessoa. O hospital começou a funcionar em 2011 e, desde então, modernizou seus equipamentos, passou de 138 para 331 leitos, de 10 leitos de UTI para 55. Passou a funcionar corretamente. Como seria possível alcançar essa excelência se o orçamento inteiro do hospital tivesse sido desviado? É um absurdo. Com o tempo, a quantia baixou para 134 milhões de reais. Ainda assim são incapazes de provar a corrupção. São contas que eles divulgam, mas não colocam explicitamente nas denúncias em tramitação na Justiça. Eles passaram a fatiar as mesmas acusações em busca da espetacularização. O governo repassou ao hospital no meu último ano de mandato 12,5 milhões de reais por mês. É muito menos do que outros estados pagam por unidades do mesmo nível em qualquer parte do Brasil. O Ministério Público não consegue provar o superfaturamento. Além disso, eu, como governador, não era o ordenador de despesas. A ordem cabia à Secretaria de Saúde. Na falta de provas, fizeram circular muitas mentiras.

Fonte: Carta Capital


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