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Em 28/07/2020

Volta às aulas: “Quem vai se responsabilizar quando o primeiro aluno ou professor morrer?”

Fernando Cássio, pesquisador da UFABC, critica campanha de sindicato do Rio de Janeiro pela volta das aulas em escolas particulares

Uma campanha do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro (Sinepe-Rio) pela volta às aulas nas escolas particulares é alvo de críticas por parte de educadores.

No vídeo, que circula nas redes sociais desde domingo 26, a organização reitera que as unidades estão prontas para a retomada das aulas e adere ao tom negacionista para minimizar a importância do distanciamento social – estratégia recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotada em todo o mundo democrático – e incentivar a volta dos estudantes.

“Os meses se passaram, aprendemos a conviver com o vírus. A covid nunca irá de todo, o que acaba é o medo. Hoje sabemos lidar, tratar, nos proteger, respeitando as rotinas, as regras e os protocolos. Estamos prontos, fizemos o dever de casa. A escola privada está pronta para reiniciar. Vimos que a ciência é a vacina. Estudos só confundiram. Trancar todos em casa não é ciência. Confinar é desconhecer, é ignorar, subtrair vida, é fragilizar, debilitar, mexer com o emocional. As crianças precisam voltar a se relacionar, brincar, refazer laços, amizades, rever seus amigos. hora de reflorir. Recriar no novo tempo. O Sol precisa tornar a brilhar”, diz o vídeo de pouco menos de um minuto.

Fernando Cássio, pesquisador e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), vê “perversidade” na narrativa.

“Além de negacionista, a mensagem de que ‘confinar é subtrair a vida’ é paradoxal. Mostra que, para os mantedores das escolas e empresários, o fechamento das unidades é indesejado pelo fato de perderem matrículas, seus contratos de prestação de serviço educacional. O que está em jogo agora é justamente o contrário, é a discussão de o quanto a abertura das escolas vai colocar vidas em risco”, critica.

Para Cássio, a justificativa do sindicato é também “simplória” ao considerar apenas a dinâmica das crianças diante o cenário da epidemia no País.

“Primeiro que os cuidados com as crianças e adolescentes não estão descartados, por elas serem supostamente ‘assintomáticas’ . Depois, e os professores, os demais profissionais da escola, as famílias? Além de propiciar o contato direto, abrir escolas é aumentar deslocamento, levar mais pessoas para dentro do transporte público, isso tudo precisa ser considerado”, reitera.

Na avaliação do pesquisador, predomina o lobby do setor. “É um discurso economicista, feito não só por esse ‘varejo’ dos mantenedores de escolas privadas, mas também por fundações e institutos empresariais, que insistem que o dano econômico ao País por conta do fechamento das escolas é justificativa o suficiente para abertura massiva das unidades escolares. É como aquele ‘O Brasil não pode parar’ do governo Bolsonaro”, avalia.

Um levantamento da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), atualizado na segunda-feira 27, mostra que 11 estados têm proposições de datas para a retomada: Acre, Alagoas, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande de Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Manaus foi a primeira capital do País a permitir a retomada das aulas presenciais desde o dia 6 de julho. Segundo o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe-AM), das 200 escolas particulares da cidade, 70% reabriram, mobilizando um total de 87.900 estudantes.

O sindicato reitera que a retomada está alinhada com as diretrizes mundiais e estaduais de saúde. As escolas vêm lançando mão de estratégias variadas para receber os alunos, desde rodízio com diminuição das turmas, até orientações para que não utilizem sapatos, façam recreio em duplas, sigam demarcações de distanciamento e regras de higienização frequentes. As diretrizes variadas constam em um plano estratégico do Sinepe, disponibilizado à reportagem.

O estado do Amazonas, sob a gestão de Wilson Miranda Lima (PSC), sinalizou que deve apresentar nesta terça-feira 28 a data de volta das aulas presenciais na rede pública. Uma coletiva de imprensa está marcada para às 9h30.

Fonte: Carta Capital


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