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Em 27/07/2020

Celso Furtado – 100 anos de um homem que pensou o Brasil

Celso Furtado, que hoje completaria seu centenário, foi um intelectual e economista profundamente ligado ao Brasil, _que estudou suas contradições e contribuiu para superá-las. _

Ele ainda não tinha 40 anos de idade quando publicou, em 1959, seu livro mais conhecido – “Formação Econômica do Brasil” que,*_ seis décadas depois,_*continua extremamente atual. Escrito alguns anos antes, no período em que Furtado estudou em Cambridge, na Inglaterra, é um livro notável por vários aspectos, que o tornaram um clássico de leitura e estudo obrigatórios.

A própria escolha da palavra “formação” para seu título ajuda a entender a motivação do autor: diferentemente da palavra “história”, que localizaria a ação no passado, “formação” incorpora a dimensão histórica numa reflexão cujo mote é o presente, as contradições do Brasil de hoje, a compreensão das condições que o levaram a ser o que é.

Como intelectual e historiador da economia, Celso Furtado era assim – não fugia desafios do presente.

Sua carreira, desde sua graduação como economista em 1948, esteve sempre ligada à atividades públicas, ao esforço de contribuir para a superação do subdesenvolvimento, que compreendeu não como etapa no desenvolvimento das nações (como os economistas e intelectuais conservadores sempre entenderam), mas como resultado da divisão internacional do trabalho que beneficia os países do centro capitalista (Europa e EUA), em detrimento das nações de passado colonial.

A lista de seus cargos públicos para o planejamento da economia é extensa. Atuou na recém criada Comissão Econômica para a América Latina (Cepal); depois na Grupo Misto Cepal-BNDES, que teve importante papel no governo de Juscelino Kubitschek, que o apoiou na criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1959; depois, quando João Goulart criou o ministério do Planejamento, em 1962, coube a ele ser o primeiro titular da nova pasta.

Na contramão da corrente dominante entre os economistas (quase sempre liberais e livre-cambistas, antepassados dos atuais neoliberais), Celso Furtado sempre defendeu o uso da força econômica, social e política do Estado para fomentar o desenvolvimento, com emprego e distribuição de renda para fortalecer o mercado interno como esteio econômico do desenvolvimento nacional.

Foi também um estudioso renovador da dominação imperialista que, aliada às oligarquias internas em países como o Brasil, tenta travar o desenvolvimento nacional. Oligarquias que, enquanto sócias internas e subalternas da dominação externa e, retardam o desenvolvimento nacional.

Neste 26 de julho, o Brasil comemora o centenário de Celso Furtado, um clássico do desenvolvimento nacional, cujas análises, esclarecendo as condições históricas do Brasil, ajudam a compreender as vicissitudes da dominação imperialista no mundo.

São palavras de uma voz que, calada pela morte aos 84 anos, em 2004, continuam válidas, descrevendo a situação atual em que permanecem, agravadas, as mesmas condições de atraso e dominação externa que ele ajudou – e continua ajudando – a combater.

Sua obra e suas realizações constituem um importante patrimônio científico nacional, sobretudo quando a nação brasileira se levanta para se livrar do desastroso governo Bolsonaro para que o país retome o caminho do desenvolvimento soberano.

Fonte: Portal Vermelho


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