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Em 23/07/2020

“A única herança que vou deixar para vocês é o diploma universitário”

A frase é de Florestan Fernandes, que sempre prezou os estudos e incentivou os filhos a seguirem o mesmo caminho.

Ele sempre trabalhou muito, dava aulas e escrevia artigos e livros sem parar, a fim de complementar a renda para conseguir pagar pelos estudos dos filhos. Ele não deixou os filhos estudarem em colégio público porque acreditava que seria muito errado tirar a vaga de uma criança que não tinha condições financeiras”, afirma o filho do sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), o jornalista Florestan Fernandes Júnior. Casado desde 1944 com Myriam Rodrigues Fernandes, Florestan Fernandes teve seis filhos: Heloisa, Noêmia, Beatriz, Silvia, Miriam Lúcia e Florestan Júnior. Estudou até o terceiro ano do primeiro grau porque teve que trabalhar muito cedo,  e só conseguiu retomar os estudos mais tarde. Queria se graduar em Química, mas, por ser um curso de período quase integral e com materiais muito dispendiosos, acabou optando por Ciências Sociais.

Sua mãe, Maria Fernandes, o criou sozinho, e ele não chegou a conhecer o pai, fato que, segundo Florestan Júnior, marcou a vida de Florestan. “Minha avó era uma camponesa portuguesa, que veio para o Brasil no início do século passado, com 13 anos de idade, fugindo da fome. Aqui, desceram no porto de Santos e foram para Bragança trabalhar em uma fazenda de café. Segundo minha avó contou, ela se apaixonou por um jovem de família italiana, que também trabalhava na fazenda, mas seu pai já havia prometido sua mão para um amigo, filho de português. Sem coragem para fugir com o namorado italiano, ela se casou com o português. Com a chegada da gripe espanhola, ficou viúva, e não quis voltar para a casa dos pais, vindo para São Paulo”, conta. “Ela foi trabalhar na casa de uma família, e só no final da vida confessou para minha mãe que, nessa casa, teve um affair com o irmão do namorado italiano. Grávida e envergonhada, fugiu, e foi só também no final da vida que, questionada sobre o pai de Florestan, enfim falou seu nome, Galileu. Minha mãe descobriu o telefone e endereço, anotou e entregou para o meu pai, mas ele disse que não tinha interesse em saber. Mas guardou o papelzinho na carteira. Ninguém sabe se procurou pelo pai, mas quando ele morreu lá estava o papel na sua carteira”, relembra Florestan Júnior.

Florestan Fernandes com sua mãe,
a portuguesa Maria Fernandes, em 1934

Quando Florestan nasceu, a mãe trabalhava na casa de Hermínia Bresser de Lima, que se tornou madrinha de Florestan. O nome Florestan tem origem mais remota num personagem da ópera Fidelio, de Beethoven. “Claro que minha avó deu esse nome não porque conhecesse a obra, mas porque nessa família o motorista era alemão e se chamava Florestan, por causa do personagem de Fidelio. Como esse motorista ajudou muito a minha avó, ela quis fazer uma homenagem para ele”, explica Florestan Júnior. “Meu pai ainda teve uma irmã, Tereza, de outro relacionamento da minha avó, mas ela faleceu muito cedo, aos 4 anos de idade, de câncer. Minha avó tinha se separado e a filha do casal havia ficado com o pai, o que o deixou muito mal na época; ele tinha então uns 6 anos”, comenta, dizendo ainda que, anos mais tarde, para Florestan era uma situação como a relatada no livro A Escolha de Sofia, de William Styron: sua mãe teve que escolher entre ele e a irmã, já que não tinha condições de criar os dois.

Fonte: Portal Vermelho


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