“Bolsonaro é um palhaço no picadeiro do circo nacional” - Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região
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Em 29/06/2020

“Bolsonaro é um palhaço no picadeiro do circo nacional”

“Não basta removermos Bolsonaro e deixarmos o circo em pé, patrocinado pelo mercado financeiro e operado no momento por Guedes”, diz

Requião é o nome de uma vila portuguesa e de um indômito político brasileiro que já foi três vezes governador do Paraná, duas vezes prefeito de Curitiba, senador, para marcar profundamente a vida do seu estado e do Brasil. Requião, também chamada de Vila Nova de Famalicão, era um “centro de tecelagem na época em que a Inglaterra mandava em todo o mundo, hoje conhecida por ser de extrema pobreza, embora figure ainda como um paraíso das Ferraris, tem mais Ferraris por metro quadrado lá, na mão dos ricos, do que em qualquer outro canto do mundo”. Do lado paterno, é filho de um siciliano e de uma descendente de alemães. Do lado materno há negros, índios e portugueses, um deles talvez judeu, segundo supõe meu velho amigo ao remontar à época em que muitos cristãos-novos vieram de Portugal para dar início à história do Brasil.

O sonho de Requião repousa na ideia, já bem elaborada, de um projeto grandioso e redentor, a visar condições de independência e democracia talvez até hoje não atingidas. O projeto redentor teria o mérito de empolgar finalmente o próprio povo do Brasil. E é nutrido por alguém que, igual a outros que conversaram comigo nas últimas semanas, guia-se pelo lema de Antonio Gramsci, cético na inteligência, otimista na ação. Quando me permito esta observação, Requião avisa: “Assim o general Heleno nos prende a ambos”. O meu formidável amigo, ao entender que o país de Bolsonaro e Guedes é súcubo de um neoliberalismo já em xeque em todo o mundo, vislumbra que, nessa subserviência às vontades dos Estados Unidos e à praga de um sistema financeiro no ocaso, livrar-se do atual governo seria medida das mais acertadas.

Lá vem, entretanto, o tal de ceticismo. Requião exclui a capacidade de ação no sentido do impeachment do presidente da República por parte tanto do Congresso quanto do STF, os poderes aos quais, no caso, caberia agir. Sobre os riscos de um golpe militar, assume uma postura bastante moderada: não acredita que o Exército, na sua inteireza, concorde com a linha política definida pelo governo. Como encarar então o futuro? A saída está na formação de uma frente que reúna as forças vivas da nação que saibam compreender a necessidade da defesa da soberania nacional, na moldura de uma redemocratização traída em outros momentos por promessas vãs, depois da morte de Tancredo Neves. O interregno petista não passou da experiência de uma social-democracia “tupiniquim”. O que, por outra, implica o erro de uma esquerda disposta a admitir aliança com o mundo financeiro, ponto nevrálgico da questão, a começar pelo fato da subserviência do Banco Central aos interesses do mercado.

Fonte: Carta Capital


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