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Em 01/06/2020

Após protestos contra palestra, Moro diz ter sofrido “censura” de argentinos

Ex-ministro comparou repúdio de professores de universidade argentina, onde daria palestra sobre combate à corrupção, à ‘queima de livros’

O ex-ministro da Justiça e Segurança Púbica, Sérgio Moro, afirmou que foi vítima de “censura” ao ter uma palestra cancelada, em plataforma virtual, na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA), principal universidade argentina. As declarações foram dadas em uma entrevista ao jornal La Nación Más na sexta-feira 29.

O ex-juiz da Lava Jato falaria, no dia 10 de junho, sobre “Combate contra a corrupção, democracia e estado de direito”, mas professores da instituição protestaram contra a presença de Moro, considerado por eles um jurista não exemplar na condução da Operação que o tornou famoso.

Assinaram a carta de repúdio a Moro a atual ministra das Mulheres, dos Gêneros e da Diversidade, Elizabeth Gómez Alcorta, o ex-juiz da Corte Suprema, Eugenio Zaffaroni, e também professores da faculdade e ligados ao kirchnerismo. “Durante o exercício da magistratura, Moro representou um modelo de juiz incompatível com o Estado Democrático de Direito ao prender uma pessoa (Lula) sem que a sua sentença estivesse firme; o que impediu a sua apresentação como candidato, possibilitando a vitória de Bolsonaro”, diz um trecho da carta de repúdio.

Sobre a situação, Moro culpou a polarização e disse que “não leva para o lado pessoal”, apesar das duras críticas que recebeu. “Houve um misto de intolerância e de pressão política num cenário de polarização que afeta tanto o Brasil quanto a Argentina. Não levo isso para o lado pessoal. Essa polarização política dificulta o diálogo e o debate”, avaliou Moro. “Acho que o ambiente acadêmico é um ambiente próprio para o pluralismo, para o debate e para a liberdade de expressão”, disse.

“Esse tipo de situação de impedir palestras é mais ou menos o que se fazia no passado quando se queimavam livros em situações arbitrárias”, declarou. “Não me parece a postura mais apropriada do ponto de vista da tolerância”, acrescentou.

Confrontado com o fato de o presidente Alberto Fernández, na qualidade de professor de Direito da faculdade, ter assinado a carta de repúdio à participação de Moro – informação que, no entanto, não foi confirmada pelo governo – Sergio Moro evitou criticar a suposta postura do líder argentino.

A aproximação do presidente argentino com o ex-presidente Lula foi questionada por Moro, para quem “a relação Brasil-Argentina tem de ficar acima de questões partidárias”. Ele criticou a visita que o então candidato, Alberto Fernández fez, em julho do ano passado, ao ex-presidente Lula na prisão em Curitiba. “Na época, achei que isso foi um pouco ofensivo. Sinceramente, achei que não fez bem para as relações bilaterais. Não foi muito apropriado”, disse o ex-juiz.

O ex-ministro da Justiça defendeu a sua postura de integrar o governo do presidente Jair Bolsonaro “porque tinha o objetivo de avançar com reformas”, mas que “só foram alcançadas em parte”.

“A agenda que eu assumi no governo Bolsonaro era contra a corrupção, contra o crime organizado e contra a criminalidade violenta. Avançamos bastante contra o crime organizado e contra a criminalidade violenta, mas, na agenda anticorrupção, de fazer reformas para melhorar a lei, de fazer alterações para proteger as instituições de influências políticas, nisso praticamente não houve avanço”, admitiu Moro, colocando no banco dos réus o presidente Bolsonaro.

* Carta Capital com informações da RFI



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