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Em 18/05/2020

PF vazou investigação de Queiroz para Flávio Bolsonaro, diz suplente do senador

Segundo Paulo Marinho, delegado da PF contou ao senador sobre a operação e a adiou para não prejudicar Jair Bolsonaro nas eleições de 2018

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi informado com antecedência sobre a Operação Furna da Onça, que levantou acusações de desvio de dinheiro público por Fabrício Queiroz, ex-funcionário de Flávio em seu gabinete de deputado estadual no Rio. É o que afirma o empresário Paulo Marinho, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo deste domingo 17.

Segundo Marinho, que é suplente de Flávio no Senado, o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lhe contou ter sido informado por um delegado da Polícia Federal do Rio de Janeiro sobre a operação entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2018. 

O empresário, então um importante apoiador da campanha presidencial de Bolsonaro, alega que, de acordo com relatos de Flávio, o delegado adiou a deflagração da operação para que a campanha do ex-capitão não fosse atrapalhada. O mesmo delegado orientou o senador a demitir Queiroz e a filha dele, que trabalhava no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro em Brasília. Os dois foram exonerados em 15 de outubro de 2018.

Ainda segundo Marinho, atual pré-candidato à prefeitura do Rio pelo PSDB, Flávio lhe pediu uma indicação de um advogado criminalista e estava “transtornado” quando lhe contou a história. Flávio também teria tido acesso aos registros da conta bancária de Queiroz com as movimentações suspeitas que estavam sendo investigadas, após receber a informação da PF.

“No dia 12 de dezembro, uma quarta-feira, me liga o senador Flávio Bolsonaro me dizendo que queria falar comigo, por sugestão do pai.

A Operação Furna da Onça já tinha sido detonada e trazido à tona o episódio do Queiroz. Flávio estava sendo bombardeado pela mídia. O Queiroz estava sumido. Ele me disse: ‘Gostaria que você me indicasse um advogado criminalista’. E combinamos de ele vir à minha casa às 8h do dia seguinte, uma quinta-feira, 13 de dezembro. Passei a mão no telefone e liguei para o advogado Antônio Pitombo, de São Paulo, indicado por mim para defender o capitão no processo da [deputada] Maria do Rosário no STF [Supremo Tribunal Federal]. E ele me indicou um advogado de confiança, Christiano Fragoso, aqui do Rio.

No dia seguinte, quinta-feira, 13, às 8h30, chegam na minha casa Flávio Bolsonaro e o advogado Victor Alves, que trabalha até hoje no gabinete do Flávio, é advogado de confiança dele. Estávamos eu, Christiano Fragoso, Victor e Flávio Bolsonaro. Flávio começa a nos relatar o episódio Queiroz. Ele estava absolutamente transtornado.

E esse advogado, Victor, dizendo ao advogado Christiano que tinha conversado com o Queiroz na véspera e que o Queiroz tinha dado a ele acesso às contas bancárias para ele checar as acusações que pesavam contra o Queiroz.

E Flávio então nos conta a seguinte história: uma semana depois do primeiro turno, o ex-coronel [Miguel] Braga, atual chefe de gabinete dele no Senado, tinha recebido o telefonema de um delegado da Polícia Federal do Rio de Janeiro, dizendo que tinha um assunto do interesse dele, Flávio, e que ele gostaria de falar com o senador. O senador contou que disse ao coronel Braga que se encontrasse com essa pessoa [o delegado] para saber do que se tratava. Estava curioso. E aí marcaram um encontro com esse delegado na porta da Superintendência da Polícia Federal, na praça Mauá, no Rio de Janeiro.”

Segundo Marinho, teriam ido ao encontro o coronel Braga, Alves e Val Meliga, irmã de dois milicianos presos na Operação Quatro Elementos.

“Eles foram para a porta da Polícia Federal. O delegado saiu de dentro da superintendência. Na calçada —eu estou contando o que eles me relataram—, o delegado falou: ‘Vai ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio. Uma delas é o Queiroz e a outra é a filha do Queiroz [Nathalia], que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro [que ainda era deputado federal] em Brasília’.

O delegado então disse, segundo eles: ‘Eu sugiro que vocês tomem providências. Eu sou eleitor, adepto, simpatizante da campanha [de Jair Bolsonaro], e nós vamos segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição [presidencial]’.”

Marinho afirma que depois do encontro, Flávio conversou com o pai. Ficou decido que Queiroz e a filha seriam exonerados. “O capitão ganha a eleição [no dia 28 de outubro]. Maravilhoso. No dia 8 de novembro é detonada a Operação Furna da Onça, com toda a pompa e circunstância. Começa o episódio Queiroz.”

Outro lado 

Em nota, Flávio Bolsonaro negou as acusações e afirmou ter um “pouco de pena” pelo “desespero” de Marinho. “Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão. Trocou a família Bolsonaro por Doria e Witzel, parece ter sido tomado pela ambição. É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado”, disse.

“Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás? Sobre as estórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”, afirmou o senador.

Fonte: Carta Capital


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