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Em 14/05/2020

Retomada da economia requer investimento público bem acima de R$ 30 bi

Para promover a retomada econômica pós-pandemia, com reaquecimento da atividade e criação de empregos, o Brasil precisará de investimento público em volume muito superior ao que o governo está disposto a fazer. A avaliação é do economista Fernando de Aquino, coordenador da Comissão de Política Econômica do Conselho Federal de Economia (Cofecon).

Até o momento, a iniciativa anunciada pelo governo federal para reanimar a economia após a crise sanitária é o plano Pró-Brasil, idealizado pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e apoiado pela ala militar do governo. O programa prevê R$ 30 bilhões em investimentos públicos em três anos mais R$ 250 bilhões de contratos de concessões, ou seja, recursos privados.

De acordo com Fernando de Aquino, os R$ 30 bilhões em gastos públicos são “muito pouco”. “Os R$ 30 bilhões não dá para nada. É muito pouco para você estimular a economia. O que a gente precisaria seriam gastos públicos em uma magnitude bem maior, em infraestrutura pública e também investimentos em ciência, tecnologia e inovação”, analisa.

Já a concretização dos R$ 250 bilhões em capital privado é incerta, afirma o economista. “Outros governos têm tentado isso há anos, mas é difícil conseguir que o setor privado se interesse. É uma intenção que o governo coloca, mas que não tem dado certo. Fica mais difícil agora, nessa conjuntura [da pandemia]”, ressalta.

Segundo o economista, para dar fôlego a uma economia em recessão, o governo deveria cogitar liberar pelo menos R$ 200 bilhões para investimento público. “Vamos dizer que [no mínimo este valor] para começar a conversar”, afirma. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Senado Federal aprovou um pacote de estímulo de US$ 2 trilhões – o equivalente a mais de R$ 10 trilhões.

A dificuldade, afirma, é que a equipe econômica não está sendo pragmática. “O Brasil não está querendo entrar nessa. A equipe econômica do governo é muito ideológica e pouco pragmática. Para eles, nada que o setor público faz vale a pena. Preferem ficar patinando a ter que acionar essa coisa de o setor público ter um papel mais ativo. Só vale crescer se for com o setor privado puxando. Ficam excessivamente preocupados com isso em vez de se preocupar com o desemprego, que é uma coisa real”, diz o economista.

Fonte: Portal Vermelho


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