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Em 08/05/2020

Crise do coronavírus pode custar ao Brasil quase 15 milhões de empregos


Economistas da UFRJ projetaram três cenários para o Brasil pós-covid. Em todos eles, os efeitos sobre o PIB, emprego e renda são perversos

No dia 20 de março, o ministro Paulo Guedes prometeu uma retomada pós-coronavírus em V: tão rápida quanto a queda. “Vamos surpreender o mundo”, disse o ministro, em entrevista para o canal de um banco no YouTube. À época, o Brasil tinha 977 casos da doença e 11 mortes. Um mês e meio depois, são 122 mil infectados e 8 mil mortos. Estudos apontam o Brasil como novo epicentro global da pandemia. E o mundo tem se surpreendido, na verdade, com a incompetência do governo frente à crise.

As expectativas do mercado financeiro caem paulatinamente. A edição mais recente do Boletim Focus, divulgada na segunda 4, projeta uma queda de 3,76% no PIB. Na semana anterior, a estimativa era de 3,34%. Banco Mundial e FMI preveem uma contração na casa dos 5%. 

Com isolamento em baixa, subnotificação em alta e estiramento das previsões para o pico de contágio, a ruína social e econômica podem ser ainda pior. 

O Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da UFRJ projetou três cenários: otimista, pessimista e de referência (moderado). Em todos eles, há efeitos perversos da pandemia sobre o PIB, emprego, renda e arrecadação. No mais crítico, o tombo do PIB chega ao recorde de 11%, com 14,7 milhões de empregos a menos.

 Já as quedas previstas de arrecadação de impostos (de 4,1%, 8,2% e 13,9%, respectivamente) são superiores às retrações do PIB.  O modelo se baseia na Matriz Insumo-Produto de 2017, estabelecida pelo IBGE, dentro do sistema de Contas Nacionais.

A previsão mais esperançosa considera uma recuperação em V, como quer Paulo Guedes: rápida, após um isolamento curto e eficaz, e atuação federal efetiva para minimizar impactos às pessoas e empresas. Leva em conta uma retomada mundial também veloz, ainda no segundo semestre, puxada pela China. Nesse cenário, o recuo estimado é de 3,1%, com potencial redução de 4,7 milhões de ocupações. No cenário de referência, a queda seria de 6,4% no PIB, com 8,3 milhões de empregos a menos. 

O encolhimento da força de trabalho brasileira pode ser consequência tanto da demissão de trabalhadores quanto da queda das horas trabalhadas. Comércio e serviços, somados, contribuem com mais da metade dessa potencial redução. Ambos os setores empregam justamente os trabalhadores pior remunerados, o que tende a alargar fosso entre ricos e pobres. 

O cenário mais catastrófico, de crescimento em L, é marcado por medidas inadequadas de contenção da epidemia e da crise econômica. E, mundialmente, pela lenta recuperação, apenas a partir de 2021, e a proliferação de medidas protecionistas.

Essa conjuntura está perigosamente perto da realidade. O Brasil não faz direito a quarentena, mas tampouco cuida da economia.

À beira de um colapso, Ceará,  Maranhão e Pará já impuseram, cada um à sua maneira, medidas de lockdown. São Paulo, com mais de 3.000 mortos e 87% dos leitos de UTI ocupados, prepara protocolo para escolher quem morre e quem vive. No Rio, mais de mil pessoas esperam leito de hospital, 500 em estado grave. O  governo federal só entregou 17% dos 2.000 leitos de UTI prometidos. A prometida testagem em massa não veio, e o governo ignora os clamores por fila única de tratamento, ‘emprestando’ leitos privados.

O socorro a patrões e empregados demora e deixa a desejar. Um em cada 10 trabalhadores brasileiros já teve o contrato suspenso ou redução na jornada no salário. As filas para receber o auxílio emergencial de 600 reais começam ainda na madrugada. Dos novos cadastros para receber o benefício, 33 milhões foram negados. O governo não demonstra interesse em medidas mais assertivas, como emitir moeda para cobrir os gastos com a crise.

De acordo com uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria, 23% dos brasileiros já perderam toda a renda mensal. E outros 17% perderam parte dela. Quase 8 em cada 10 empregados têm medo de demissão. Três em cada quatro consumidores vão manter nível reduzido de consumo no pós-pandemia.

O cenário externo não é mais alentador. O PIB das 19 economias da zona do euro, prevê a Comissão Europeia, deve cair 7,7% este ano. A crise do coronavírus revelou a fragilidade da moderna cadeia de suprimentos. O comércio semanal na China, EUA e Europa caiu pela metade. 

A crise do coronavírus revelou a fragilidade da moderna cadeia de suprimentos. Anotam os pesquisadores: “Diante das dificuldades de diferentes naturezas enfrentadas pelos fluxos internacionais de bens e serviços, as exportações brasileiras deverão sofrer redução significativa, além de uma mudança em sua composição, com ganho de importância de bens de origem agrícola.” Se essa trajetória persistir, haverá um aprofundamento da especialização regressiva da economia brasileira.

Fonte: Carta Capital

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