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Em 11/12/2019

O papel do MST em um país onde 210 milhões têm o péssimo hábito de comer

Foram muitas as vezes em que usei a coluna neste site de CartaCapital para alertar fariseus ruralistas, alguns menos federativos e toscos, além de caboclos, campesinos, tabaréus e sertanejos, para a amplitude econômica e social do MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, fora vê-lo como invasor-gafanhoto da produção agrária nacional.

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Sabia, pois visitava seus campos e assentamentos bem organizados e, quando precários, abandonados à própria sorte pelo Estado, que não os entendeu e deles acabou se afastando.

Na mais recente batalha política, perdida contra o fascismo, vimos quem, se não os movimentos sociais à semelhança do MST, saíram às ruas para defender democracia, inclusão social e menos desigualdade. Gatos pingados, nós.

Não importam os critérios. Desobrigo-me de enunciá-los, mas basta ir ao Google e descobrir quem somos em injustiça social. Sempre apareceremos como um dos países onde mais grassa a desgraça da desigualdade. A rima foi intencional, pois como no ótimo filme Bacurau, a essência está em Geraldo Vandré: “Vim aqui só pra dizer, ninguém há de me calar, se alguém tem que morrer, que seja para melhorar”.

E assim fizeram Luna, Corisco, Lampião, Antônio Conselheiro e João “Chibata” Cândido, o Almirante Negro.

É sabido: entre 75% e 80% dos alimentos que chegam às nossas mesas vêm de produtores rurais com lavouras dedicadas ao mercado interno. Sim, pode parecer incrível, mas os 210 milhões que aqui vivem têm o péssimo hábito de se alimentar.

Não, não estou negando a produção agrícola voltada às exportações, apenas reificando aquela voltada ao mercado interno.

Tomo dados da matéria de Marcos de Moura e Souza, no Valor (6/12/2019), “Aumenta a produção de alimentos de cooperativas vinculadas ao MST”. Reportagem honesta da sucursal paulista do Globo.

“Famílias assentadas são sócias de marcas próprias, têm gestão profissionalizada e vendem para governos e grandes redes varejistas no país e no exterior.”

Hoje em dia, segundo Kelli Mafort, da coordenação nacional, “há cerca de 450 mil famílias assentadas ligadas ao MST, em 88 mil hectares”. Ao pé da conta, aproximadamente, uma média de 2.000 m² (0,20 ha) por família. E vivem. Na maior parte, não mais como trabalhadores sem terras, mas sim pequenos e médios proprietários.

“São 162 cooperativas e nos assentamentos mais de 2 mil associações”. Quatro delas, sendo três na região Sul e uma no estado de São Paulo, têm 4.200 cooperados e receita próxima de R$ 300 milhões.

A exercer importante papel na instrução da gestão em associações de acampados e cooperativas, está o Sebrae, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, parte do “Sistema S”, que o governo do Regente Insano Primeiro cogitou extinguir. Não o fez, mas cortou de forma drástica seus recursos, em benefício do patronato selvagem.

Ainda há, no entanto, cerca de 90 mil famílias aguardando assentamento, sobretudo no extremo oeste paulista, fato que este colunista denunciou em painel no EsalqShow2019, ocorrido em outubro.

Além da diversidade de culturas agrícolas e rebanhos em atividade nessas propriedades, há uma forte expansão da produção orgânica, que atende melhor o perfil de sustentabilidade que se busca na alimentação moderna.

Como escrevi no início da coluna, são mais de 15 anos insistindo nesse modelo de negócio para pequenos e médios produtores rurais. Cobrei isso das três instâncias executivas, municipal, estadual e federal. Desde o apoio técnico extensionista aos arranjos produtivos locais. Nada. Pelo contrário, acabaram com o ministério do Desenvolvimento Agrário.

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Pois é, o MST fez e continuará fazendo. Inté.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.


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