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Em 16/08/2018

PT registra candidatura de Lula

Ricardo Stuckert
Haddad e Gleisi

Apoiado por manifestantes, o PT registrou a candidatura de Lula, que já é alvo de pedidos de impugnação

O ex-presidente Lula, preso em Curitiba desde 7 de abril, é neste momento o candidato oficial do PT às eleições presidenciais. O registro da candidatura foi feito nesta quarta-feira 15 em Brasília pelos advogados que cuidam da questão eleitoral do ex-presidente juntos do atual candidato a vice Fernando Haddad, e da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, em meio ao apoio de milhares de eleitores de Lula. 

A candidatura, como esperado, já é alvo de diversos pedidos de impugnação. O principal deles é de Raquel Dodge, procuradora-geral da República. Ela contestou a candidatura do ex-presidente com base na Lei da Ficha Limpa, que impede condenados por um colegiado de concorrer. Preso há mais de quatro meses, Lula foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.  

Entraram também com ações contra Lula o candidato a deputado federal Kim Kataguiri, líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Alexandre Frota, também candidato a deputado federal, mas pelo PSL de Jair Bolsonaro, e João Amôedo, presidenciável do partido Novo, que chegou a pedir para o TSE impedir Lula de indicar um substituto.

O registro de Lula terá como relator o ministro Luís Roberto Barroso. A tendência é que o ministro analise o caso a partir da próxima semana, após a publicação de um edital com todos os pedidos. Como houve contestação, Barroso pode votar a respeito dos pedidos de impugnação como relator e enviar ao plenário do TSE para votação.

Presidente da Corte eleitoral, Rosa Weber deixou, porém, em aberto a possibilidade de um ministro decidir por conta própria não permitir a candidatura, se vislumbrar que não há condições de elegibilidade. 

Cotado como plano B caso Lula não consiga chegar até o fim das eleições, Fernando Haddad foi registrado como vice na chapa e leu para a militância uma carta escrita por Lula e endereçada a todos os  brasileiros.

Na carta, Lula afirma que o juiz Sérgio Moro - responsável por sua condenação em primeira instância - "nunca apresentou uma prova material de que o apartamento no Guarujá, fruto de uma fake news do jornal O Globo" é seu, e que por isso "não tem rezões para não levar a candidatura adiante." 

"Com meu nome aprovado na convenção, a legislação diz que só não candidato se eu morrer, renunciar ou se for arrancada pela Justiça. Não pretendo morrer, não cogito renunciar e vou brigar pela meu registro até o final. Não quero favor, quero Justiça", diz Lula encerrando a carta. 

Vices 

Após a aliança com o PCdoB, selada no fim de semana que datava o prazo final para as convenções, tanto o PT como próprio PCdoB anunciaram que Manuela D'Ávila seria a vice em qualquer um dos cenários, e que seria registrada junto de Lula nesta quarta 15.

O partido, no entanto, mudou a estratégia com a esperança de que Haddad consiga participar dos debates na condição de vice e já passe a aparecer como o interlocutor principal de Lula.

Na coletiva de imprensa que antecedeu o ato de registro da candidatura, o vice afirmou mais uma vez que existe um "movimento tentando impedir que as ideias de Lula chegue à população". "Não vamos nos curvar para as ilegalidades que estão cometendo contra ele. Estamos em marcha e não vamos parar seja qual for a decisão da Justiça", disse Haddad. 

Regras do jogo 

Os advogados responsáveis pelo registro da candidatura apostam "na obediência da Justiça às regras do jogo" para esticar a participação de Lula na campanha pelo maior tempo possível. 

A defesa pretende estender o debate no Tribunal Superior Eleitoral enquanto entra com recursos com efeito suspensivo da inelegibilidade nas outras Cortes Superiores. Uma das possibilidades é que o ex-presidente concorra com uma liminar na condição de candidato sub judice. 

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No lugar de Luiz Fux, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, tomou possecomo nova presidente do TSE nesta terça-feira 14. Voto decisivo contra Lula no julgamento que negou ao ex-presidente um habeas corpus pouco antes de sua prisão, a ministra conduzirá a Corte durante a análise da situação eleitoral do petista.

Marcha Lula Livre 

A militância petista e outros apoiadores de Lula se reuniram a partir das 14h em frente à sede do TSE. Na terça-feira 14 milhares de militantes de diversas regiões do País marcharam até Brasília para apoiar o registro da candidatura de Lula e pedindo também sua libertação. 

Eles acamparam na área central de Brasília, ao lado do estádio Mané Garrincha. A estimativa dos organização é era de 5 mil pessoas. A Polícia Militar do DF calcula 4 mil. 

Além do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), engrossam a marcha trabalhadores da Via Campesina, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do Levante Popular da Juventude e de comunidades indígenas. Políticos e intelectuais de esquerda também estiveram na marcha. 

Os governadores do Maranhão, Flávio Dino, de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e a ex-presidente Dilma Rousseff. (Carta Capital)


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