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Em 16/04/2018

Conselho de Segurança da ONU reflete tensão após bombardeio na Síria

O Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou neste sábado (14), em reunião de emergência, uma resolução apresentada pela Rússia que pedia a condenação dos bombardeios realizados na Síria por Estados Unidos, Reino Unido e França durante a madrugada.

Reuters
Conselho de Segurança da ONU se reuniu neste sábado após solicitação da RússiaConselho de Segurança da ONU se reuniu neste sábado após solicitação da Rússia
No pedido, Moscou considerava que o ataque representa uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, além de expressar "grave preocupação" pela "agressão" contra a soberania territorial da Síria. O documento ainda exigia que os três países responsáveis evitem no futuro o uso da força contra o governo de Bashar al-Assad.

Além da Rússia, somente China e Bolívia votaram a favor da resolução. Oito países votaram contra – EUA, Reino Unido, França, Suécia, Costa do Marfim, Kuwait, Holanda e Polônia –, e quatro se abstiveram – Peru, Cazaquistão, Etiópia e Guiné Equatorial.

A votação ocorreu ao fim de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, solicitada neste sábado pela Rússia para discutir a situação na Síria. O resultado refletiu um apoio aos bombardeios ocidentais, mas também demonstrou novamente a paralisia do órgão mais poderoso da ONU para lidar com o conflito na Síria.

Na madrugada deste sábado, EUA e aliados lançaram mais de cem mísseis em território sírio, em resposta ao suposto ataque químico na cidade síria de Duma, que matou mais de 40 pessoas na semana passada e é atribuído pelo Ocidente ao governo de Assad.

A Rússia e a Síria, por outro lado, afirmam não haver evidências do uso de armas químicas em Duma, último bastião dos rebeldes em Ghouta Oriental, e alegam que o ataque foi fabricado.

Troca de acusações e ameaças

Após a votação, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, declarou que a reunião do órgão confirmou que os EUA e seus aliados "continuam colocando a diplomacia e a política internacional na esfera da criação de mitos, inventados em Londres, Paris e Washington".

"Por que vocês não aguardaram o resultado da investigação que vocês mesmo solicitaram [antes de bombardear a Síria]?", questionou Nebenzia. "Vocês não estão apenas se colocando acima da lei internacional, mas estão tentando reescrever a lei internacional."
Mais cedo, em discurso durante a reunião, o embaixador russo acusou EUA, França e Reino Unido de "hooliganismo diplomático" e considerou que os bombardeios contribuem para "tornar uma situação humanitária catastrófica ainda pior".

Os três países, por sua vez, defenderam a ação militar deste sábado perante o Conselho de Segurança, afirmando que ela teve como foco o coração do programa de armas químicas sírio.

"Estamos confiantes de que paralisamos o programa de armas químicas da Síria. Estamos preparados para manter essa pressão, se o regime sírio for insensato o suficiente para testar nossa vontade", afirmou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

A diplomata acrescentou que, se Assad continuar empregando armas químicas em seu país, "os Estados Unidos estão armados e prontos para disparar". "Quando o nosso presidente estabelece uma linha vermelha, ele respeita essa linha", declarou Haley.

Em discurso semelhante, a embaixadora do Reino Unido na ONU, Karen Pierce, também defendeu os bombardeios, afirmando ser "correto e legal" lançar ataques com a intenção de aliviar o sofrimento humanitário.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, informou que pediu ao enviado especial da ONU para a crise síria, o diplomata Staffan de Mistura, que retorne a Nova York o quanto antes para que o órgão possar traçar uma estratégia. Segundo ele, "a Síria representa hoje a mais séria ameaça à paz e à segurança internacional".

Em discurso perante o Conselho de Segurança, Guterres ainda pediu "a todos os Estados-membros que, neste momento crítico, ajam de forma consistente com a Carta das Nações Unidas e com a lei internacional, incluindo as normas contra o uso de armas químicas".

Reações internacionais

A ação militar deste sábado desencadeou uma série de reações em todo o mundo. O Ocidente saiu em peso para apoiar o ataque, com a Alemanha e a União Europeia dizendo estarem ao lado dos EUA. Já Assad e seus aliados – Rússia e Irã – reagiram com indignação.

O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou o bombardeio como um "ato de agressão", que vai ampliar a catástrofe humanitária na Síria: "O ataque teve uma influência destrutiva no sistema interior de relações internacionais."

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o ataque foi "perfeitamente executado" e declarou "missão cumprida". "Não poderia haver resultado melhor", afirmou ele no Twitter.

Contudo, não está claro o real alcance dos bombardeios. A França afirma que "grande parte" do arsenal químico sírio foi destruída, enquanto a Rússia alega que 71 dos 103 disparos foram interceptados pelo sistema de defesa de Assad. 

Do Portal Vermelho, com DW Brasil


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