A caravana identitária de Manuela D'Ávila - Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região
Home » Notícias » A caravana identitária de Manuela D'Ávila
Em 11/04/2018

A caravana identitária de Manuela D'Ávila

Guilherme Imbassai
Manuela D'Ávila em no Fórum Social Mundial

Candidata está viajando pelo Brasil para discutir os efeitos da crise econômica na vida das mulheres

Ao longo do mês de março a pré-candidata à presidência pelo PCdoB, Manuela D’Ávila, viajou por todo o país discutindo os efeitos da crise econômica na vida das mulheres. São os primeiros passos de uma agenda de campanha que terá a política identitária como eixo central.

No embate eleitoral, Manuela deverá levantar a bola das pautas que podem constranger os candidatos mais alinhados com a política de centro, como é o caso de Ciro Gomes (PDT), e combatida ou minimizadas por candidatos como Jair Bolsonaro (PSL), expressão da extrema-direita nas eleições.

Leia também: Manuela D’Ávila: “Os fascistas saíram do armário com pedras e relhos"

A candidata terá, para além das urnas, a missão de disputar um discurso conflituoso e cada vez mais tensionado pelos movimentos sociais. Basta lembrar, para citar apenas um exemplo recente, dos ataques que a filósofa Judith Butler sofreu em São Paulo.

Isso porque grupos como Movimento Brasil Livre (MBL) elegeram a escritora - que fala e escreve, entre outras coisas, sobre as questões de gênero - como símbolo do que aqueles que defendem uma pauta conservadora combatem.

Manuela dividirá seu discurso, em uma campanha marcadamente de esquerda, entre a inclusão social com a proteção das liberdades individuais e a defesa de que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, preso desde o sábado 7, é um preso político e, portanto, tem de ser solto. 

A relação com Lula, que sempre foi de aliança e proximidade, ganhou contornos ainda mais fortes nos dias em que o ex-presidente passou nos Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, até ser levado pela Polícia Federal. 

Manuela teve papel relevante de articulação naqueles dias, que se sobrepôs até mesmo ao de assessores e aliados políticos mais antigos do ex-presidente. Passou a maior parte do tempo junto a Lula e foi uma das primeiras a ser citada pelo petista no discurso que antecedeu o momento em que se entregou à Polícia Federal. 

Depois, no acampamento montado do lado de fora da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde Lula está, Manuela usa todo o seu capital político. Na segunda-feira 9, após ser insultada por um apoiador de Jair Bolsonaro - posteriormente escoltado por policiais federais para dentro da sede da PF - a candidata gravou e divulgou em suas redes sociais um vídeo em que afirmou "que o problema não era com ela e sim com a segurança do ex-presidente Lula, que está exposto dentro de uma unidade federal". 

De perto e de dentro 

Num retrato raro na política, é comum ver a deputada gaúcha de 36 anos com a filha no colo em compromissos de trabalho ou amamentando dentro da assembleia, ambiente marcado não só pela ausência de mulheres, mas também pela falta de acolhimento para as mulheres que alcançam espaços de poder.

Ponderando o fato de que ao menos 50% das mulheres que engravidam não conseguem retornar ao mercado trabalho em função da maternidade, a candidata afirma que não é possível desenvolver o país mantendo debaixo do tapete o que machismo produz.

“A desigualdade social no Brasil se estrutura a partir do recorte de raça e de gênero. Não me somo aos que acham que a questão identitária é uma coisa menor. Não existe nação sem povo e povo sem identidade, mas há os que acreditam que o povo precisa sumir para o país se desenvolver”, afirma a candidata.

A deputada, que está na fase final da sua dissertação de mestrado, diz ainda que dentro da academia existem grupos que desqualificam a pauta identitária ou, como grupos preocupados apenas só com a suas próprias identidades, defendem que a esquerda se liberte da defesa dos direitos das minorias para vencer eleições. 

“Esses intelectuais vão acabar defendendo os liberais fakes do Brasil, que propõem estado mínimo para o povo, máximo para os banqueiros, e que são ultraconservadores na vida privada. Os adversários dos brasileiros não são os gays, não são os indígenas, não são os negros, esse é o povo brasileiro. Os nossos adversários são os juros altos, são as famílias ricas que não são tributadas em seus lucros”, defende.

A pré-candidata afirma não temer o desafio de argumentar de maneira atraente e objetiva com toda a população sobre os direitos das minorias. "Dentro da classe trabalhadora existem formas distintas de opressão. A esquerda precisa reconhecer isso de uma vez por todas."(Carta Capital)


Desenvolvido por Porttal Webdesign

Topo