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Em 27/12/2017

O que realmente disse o nosso Patrono, Paulo Freire

O que realmente disse o nosso Patrono, Paulo Freire

Em dezembro de 2017, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) recusou a sugestão de iniciativa popular (SUG 47/2017) de retirar de Paulo Freire o título de Patrono da Educação Brasileira (Lei 12.612). 

Por Carlos Pompe*


Segundo sua autora, Stefanny Papaiano, "Paulo Freire é considerado filósofo de esquerda e seu método de educação se baseia na luta de classes, o sócio construtivismo é a materialização do marxismo cultural, os resultados são catastróficos e tal método já demonstrou em todas as avaliações internacionais que é um fracasso retumbante".     

Para ela, "não é possivel manter como patrono da nossa educação o responsável pelo método que levou a educação brasileira para o buraco". Recebeu mais de 20 mil apoiadores.

Em contrapartida, a Contee e diversos intelectuais, pesquisadores, educadores, entidades do campo educacional e movimentos sociais divulgaram manifesto em defesa do legado do educador.

A relatora da matéria, senadora Fátima Bezerra (PT-RN), rejeitou a proposta e denunciou que ela "integra um movimento que, sob o pretexto de combater a doutrinação ideológica dos estudantes, busca abolir o pensamento crítico, a problematização da realidade e a alteridade. Não se trata de edificar uma escola sem partido, mas sim de edificar uma escola com partido único, ultraconservador no plano dos direitos humanos. Não se trata de evitar a doutrinação ideológica, mas de censurar o livre debate que permite o desmascaramento das ideologias oficiais ou hegemônicas, geradoras de opressões de variadas espécies". 

Vida dedicada à educação

Paulo Freire nasceu em Recife, em 1921, e dedicou sua vida à educação. Entre 1947 e 1954, trabalhou no Serviço Social da Indústria (SESI), com alfabetização de adultos. Alinhou-se aos que defendiam políticas desenvolvimentistas para o País. Coordenou o Programa Nacional de Alfabetização, no início dos anos 60. Por solicitação do Governo do Rio Grande do Norte, organizou a experiência de educação popular no município de Angicos, que objetivava alfabetizar trabalhadores em apenas 40 horas.

Com o golpe civil-militar de 1964, foi exilado, primeiro para a Bolívia e, logo em seguida, para o Chile, onde viveu até 1969. No Chile, participou de ações junto a trabalhadores rurais e publicou algumas de suas obras mais significativas, inclusive Pedagogia do Oprimido (1968), traduzida em mais de 20 idiomas. Na Europa, nos anos 70, trabalhou no Conselho Mundial das Igrejas, colaborou com movimentos sindicais e feministas, foi consultor de políticas educacionais em países da África libertados da condição colonial.

Em 1979 retornou ao Brasil e lecionou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Participou de programas de pós-graduação e constituiu grupos de pesquisa que ampliaram e rearticularam o seu trabalho. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Entre 1989 e 1991, foi secretário Municipal de Educação de São Paulo, na gestão de Luíza Erundina (então, PT). Faleceu na capital paulista, em 1997. Entre inúmeras honrarias, foi laureado com 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades espalhadas por todo o mundo, sendo Professor Emérito de cinco universidades. Foi agraciado com diversos títulos da comunidade internacional, como o prêmio da UNESCO de Educação para a Paz, em 1986.

Em recente pesquisa sobre trabalhos científicos, realizada pela London School of Economics, Paulo Freire foi considerado um dos pensadores mundialmente mais lidos e mais referenciados, sendo que Pedagogia do Oprimido está entre os três livros mais citados nas ciências sociais e entre os 100 livros mais pedidos e consultados por universidades de língua inglesa.

Fonte:
Contee

 


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