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Em 07/12/2017

Dialética à brasileira e a candidatura do PCdoB


  
Acontece que, na dialética à brasileira, as previsões mais precisas são meros devaneios enquanto que os maiores devaneios são quase que proféticos. E quanto mais improvável parece, mais próximo ao concreto está, com e sem licença poética, desde as nossas alianças religiosas até o nosso sincretismo político, tudo é permitido. 

Explico:

Ainda que a onda conservadora cresça no país a índices chineses, representada, o que é ainda pior, por uma direita medíocre, tacanha e fascista, na figura de Jair Bolsonaro, é preciso acreditar, talvez, nos 3% de Manuela, que já é maior do que o Pibinho do Temer e que, segundo Lula, representa o caminho do meio. Para quem conhece o PCdoB de perto, nada novo sob o sol, para quem conhece só de nome, acha improvável que a comunista consiga se ancorar ao centro. Enfim, Manuela tem sim grandes chances, mas isso porque neste hemisfério do planeta os comunistas contam com o fator metafísico como fenômeno indispensável para a ruptura histórica. 

Os ortodoxos que me perdoem, mas no Brasil o sobrenatural é condição humana objetiva. Aqui ele tem até registro: Sobrenatural de Almeida, chama-se, foi batizado nos tempos em que existiam conservadores mais ilustrados (1). E até hoje se os comunistas não triunfaram foi por terem desconsiderado essa condição, que para o camarada Silas é tão real quanto a luta de classes. Acende a vela, bate o tambor e vai para a luta contra as reformas o tipo baixo, de bonezinho branco, óculos e bengala: um brasileiro quase em vias de extinção. 

Olhemos para duas realidades antagônicas: o pastor Kleber Lucas e o MBL. O pastor e ícone da música gospel foi atacado nas redes sociais pelos próprios seguidores que, como bom cristão que sou, me recuso a chamar-lhes de evangélicos pois não o conhecem, e nem de protestantes, pois a semântica nem combina com o conservadorismo que parece predominante entre eles. O pastor, definitivamente, operou um milagre ao ir até o ilê levar uma quantia para ajudar a reconstruir o templo destruído por fanáticos religiosos. Já o MBL é o primeiro movimento liberal, segundo o seu próprio manifesto, que tenta intervir em sala de aula, museus e exposições, levando uma pauta moralista que fere as liberdades individuais, ou seja, inaugurando uma própria linha de pensamento política, o Trumpclintonismo, unindo o pior do que tem os democratas e os republicanos. 

Essas são as duas provas mais recentes da existência de Sobrenatural de Almeida, sem falar na vitória do Corinthians sobre o Palmeiras num jogo decisivo que, basicamente, garantiu o título para o alvinegro desbotado no segundo turno sobre um Palmeiras, até então, invencível, Sobrenatural de Almeida novamente. 

Para que tenhamos esperança em um novo ano, precisamos oferendar suplicando pelo novo, Santo Expedito para o crescimento econômico, São Longuinho para o emprego perdido, Santo Antônio para garantir o casamento da frente ampla, e assim por diante. É preciso crer que, neste hemisfério do planeta é capaz de se chover pétalas. Precisamos, definitivamente, crer no improvável e no fantástico, que é do brasileiro assim como o céu é do condor, como a praça é do povo. Se vacilarmos um segundo sequer sobre a idiotice da objetividade europeia incapaz de copiar um muro inca, padecemos de esperança no provável escrete escalado para a Copa na Rússia, e precisará que o Neymar, tal qual Pelé em 58, costure as linhas paralelas do futebol europeu, deixando-os imóveis por séculos, independente de suas opiniões pessoais. 

Se sucumbirmos à razão, acreditaremos de fato que, o candidato fascista, cujo o conhecimento sobre o Brasil não lhe permite dissertar cinco linhas sobre o FlaxFlu, chegará ao palácio do Planalto. Se sucumbirmos à maldita razão, não permitiremos que o melhor de todos os devaneios que tivemos nos últimos anos, Manuela Presidenta, se concretize no campo do Materialismo Fantástico da filosofia brasileira de botequim.

Notas: 
(1) – Nelson Rodrigues, cronista esportivo declaradamente conservador, criou o personagem Sobrenatural de Almeida para explicar as coisas inexplicáveis que aconteciam no futebol.




*Gabriel Lima é produtor audiovisual, escritor por hobby e militante do PCdoB-MS

Fonte: Portal Vermelho



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