Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região - artigo_id:5344
Em 29/04/2015

O alto preço da despolitização do trabalhador

O alto preço da despolitização do trabalhador

É sabido de todos acerca da nossa herança cultural, num país onde as revoltas pela independência ou pela república praticamente não houveram documentos escritos (a Conspiração Baiana foi uma exceção). A primeira máquina de impressão é instalada em 04 de janeiro de 1808, a Imprensa Nacional nasce em 13 de maio de 1808 e o primeiro jornal circula a partir de 1º de junho também de 1808.

 

 Tivemos uma tardia abolição da escravatura, 1888, a república foi proclamada em 1889, e ainda tivemos uma grande convivência com o latifúndio e seus ridículos coronéis. A industrialização e a modernização do país, de fato, são iniciadas a partir de 1930 e ascensão de Getúlio Vargas ao poder. Além disso, sofremos dois golpes de Estado durante o século XX, 1937 – Estado Novo, e 1964 – Ditadura Militar.

 

Tudo isso é passado, mas a herança política e cultural continua viva, inclusive, práticas políticas atrasadas como o assistencialismo e o clientelismo. Estamos em pleno século XXI, vivendo um período de mais de 30 anos de democracia. Contudo, recentemente, amargamos as duras cenas de manifestações políticas fomentando o golpe a intervenção militar. E o que é pior, trabalhadores e pessoas humildes compartilhando tais idéias.

 

Resultado das últimas eleições legislativas, deputados e senadores conservadores oriundos das classes empresariais são maioria no Congresso Nacional e impõem através do seu presidente, um conhecido lobista, uma agenda política restritiva aos direitos sociais, humanos e políticos.

 

Infelizmente durante o processo eleitoral, acentuadamente, no debate dos cargos legislativos o que predomina é a despolitização e a não participação dos trabalhadores do debate político, deixando o tom das campanhas eleitorais a ser ditado pelo capital através do vale-tudo eleitoral, toma-lá-dá-cá, tráfico de influências, promessas demagógicas, sem falar no vergonhoso comércio da compra e venda de votos. Advento que subverte, deforma e prostitui completamente o instituto da democracia representativa.

 

Fato emblemático e pedagógico tem sido por mais contraditório que pareça, a tramitação do nefasto PL 4330 da terceirização sem limites. Quando da votação do texto base apenas três partidos encaminharam às bancadas o voto contrário, a saber, por ordem do número de deputados: PT, PCdoB e PSOL. Foi uma derrota acachapante (324 a favor do PL e só 137 contra).

 

Diante da mobilização dos trabalhadores (fato sempre relevante) na votação dos destaques na semana passada, o PT, PCdoB, PV, PDT, Pros e Psol encaminharam votos contrário ao PL. O PSB se dividiu completamente.  Como era de se esperar, o PSDB, PMDB, DEM, PSD e Solidariedade, entre outros, votaram favoravelmente. Placar: 230 a favor e 203 contra. Mais uma dura derrota infligida aos trabalhadores.

 

As melhores armas dos trabalhadores na luta de classes são a informação e a conscientização. A teoria e a ação. Avante rumo a consciência de classe!!!

 

Por Jorge Barbosa * Presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna

 

 


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