Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região - artigo_id:4692
Em 29/10/2014

Brasil dividido

Brasil dividido É fato, nosso país foi dividido no dia 26 de outubro. Não territorialmente, como dizem ou querem os preconceituosos, esquecendo-se que em Minas e no Rio de Janeiro, Dilma também ganhou a eleição, sem falar daqueles que votaram no PT ou no PSDB em todos os estados. O Brasil foi dividido como é natural que aconteça em processos eleitorais com disputa acirrada, do ponto de vista ideológico. Do lado de Dilma, ficaram aqueles que apóiam a idéia da construção de um projeto de desenvolvimento nacional autônomo, com valorização do trabalho e fortalecimento do mercado interno. Com Aécio, aqueles que defendem a tese da supremacia do mercado, de um desenvolvimento subalterno aos interesses dos Estados Unidos e da União Européia, tendo como princípio macro econômico, o neoliberalismo, o que implica necessariamente na desvalorização do trabalho e na concentração de renda. Foi uma batalha difícil tendo em vista que o governo perdeu aliados e foi atacado por duas frentes, PSDB e PSB. Com a morte de Eduardo Campos a mídia o transformou em um “herói nacional”, criou um clima de comoção e apresentou a Marina a possibilidade de vencer o pleito. Diante da inconsistência do programa apresentado pela candidata, a polarização voltou a ficar entre Dilma e Aécio. As duas frentes unificaram-se e Dilma rompeu o cerco. Destaca-se o decisivo papel desempenhado pela militância da candidatura de Dilma, que foi às ruas e efetivamente fez campanha notadamente no segundo turno, desequilibrando o jogo. É uma lição que não pode ser esquecida jamais, a importância do militante que movido pela razão e emoção fez campanha em família, entre amigos e colegas, nas redes sociais e nas praças. É o elemento consciente em ação. Relevante foi a postura despolitizada de milhares de trabalhadores que, de forma completamente insciente e irresponsável, apoiou e votou no PSDB, o que equivale numa grotesca comparação, pedir para ter salários e direitos reduzidos. É uma dura reflexão que precisamos fazer: a consciência de classe do trabalhador brasileiro é quase inexistente. Cabe a Dilma enfrentar o desafio de manter e aprofundar o crescimento e o desenvolvimento econômico garantindo a inclusão social e o respeito aos direitos dos trabalhadores. Faz-se necessárias reformas, dentre elas, a política e a de democratização da mídia (foi notório e explicito o papel dos grandes meios de comunicação, em especial, à revista Veja, em favorecer o candidato das elites). É preciso também mais critério na indicação da equipe de governo e um duro combate à corrupção com a punição de qualquer envolvido. A esquerda precisa manter o discurso político e ideológico vivo e a militância mobilizada porque, sem duvida, será necessário para garantir os avanços que o Brasil precisa. Por Jorge Barbosa, presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna

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