Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região - artigo_id:1405
Em 20/10/2011

O EMPREGO COMO DIREITO OU PRIVILÉGIO

O EMPREGO COMO DIREITO OU PRIVILÉGIO

O que seria direito de todos, como condição sine quanon para a manutenção da sobrevivência, dignidade e respeito ao ser - humano, tornou-se uma tortura. Isso justifica etimologicamente a origem da palavra trabalho e mostra que seu significado ainda sobrevive na relação humana, impregnando trabalhadores que sofrem com as conseqüências das patologias originarias do mundo do trabalho, da sua sobre carga que debilita física e psicologicamente, proporcionando na maioria dos casos a “cegueira humana” ou alienação como também o engessamento, travando totalmente ou parcialmente a cognição, a capacidade de criação que é privilegiadamente uma condição essencial do ser humano e por esta condição é que ele deveria se diferenciar dos outros animais.

O capitalismo, na sua essência, é um processo ideológico inexorável, individualista e essencialmente marginal, voltado para a exploração e acumulação de bens, para a guerra entre os povos, mantenedor da dualidade de um núcleo mínimo para sua sustentação, liberando seus tentáculos para empurrar a maioria da humanidade para a margem da sociedade, mostrando seu lado excludente e perverso, inclusive excluindo os que chegam ao núcleo, mas não satisfaz suas três necessidades básicas: produção, produção, produção.

Esses são os verdadeiros torturadores cooptados e trancafiados no centro do núcleo alimentar desse Leviatã chamado de Estado burguês, auxiliados com seus braços, pequenos burgueses vendados e amordaçados.
Observamos em determinadas categorias que certos “privilégios” ou “concessões” ofertados pelas empresas criam uma nova identidade no trabalhador, como por exemplo: bancário deixa de ser bancário e se intitula administrador, gerente, etc...
Observamos também na categoria de trabalhadores em serviços gerais, que hoje deixa de ser trabalhador pertencente a essa categoria e se auto intitula “chefe”, acaba ocupando o lugar comum para cobrar produção e esquece os direitos dos seus subordinados e sua condição de explorado.

No campo o trabalhador migra para outras funções, como um mero capataz e assim sucessivamente nessa tal “hierarquia” sem proteção e sem um futuro, sem paz, conforto e segurança para uma vida digna, o que não garante a sobrevivência nesse mar de riqueza guardada entre canhões e metralhadoras e dividida entre os burgueses.
Os trabalhadores usam uma nova persona e se comportam como proprietário defensor da empresa ou de suas idéias exploratórias, jogando sua identidade anterior para uma sombra que ele não quer jamais ver para não rever sua origem, vivendo exclusivamente de sua nova mascara: “eu sou”.

Essa nova mascara esconde a velha sombra que o acompanha e o apavora, fazendo-o fugir do “em si” para o “para si”, perdendo sua identidade para a execrável personalidade do capitalismo que também se esquiva das suas sombras cheias de insensatez, insensibilidade, inconseqüência, mais-valia e do descompromisso com a humanidade, tornando-nos desumanos, colocando-nos como a própria essência do capitalismo: Inexoráveis seres humanos.

E se não tiveres atitude, eles dominarão e matarão até saciar sua ganância estúpida pelo poder. Eis o papel infeliz dos dominadores e reacionários capitalistas, que não vê em você um ser humano, mas uma besta para multiplicar sua fortuna.
A consciência de classe é a liberdade para a luta. A submissão é o conformismo que o torna um fantoche manipulado, usado até a última gota de sangue para descartar seu cadáver na vala comum do capital.   

Valter Luis de Oliveira Moraes

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