Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região - artigo_id:12780
Em 25/05/2018

Seminário aponta que saúde do trabalhador está em risco com a Reforma Trabalhista

Seminário aponta que saúde do trabalhador está em risco com a Reforma Trabalhista

O cenário não é nada satisfatório para os trabalhadores no Brasil. Essa foi uma constatação comum a todos os palestrantes no Seminário Saúde do Trabalhador e a Reforma Trabalhista, realizado na tarde de ontem (24/05), no auditório da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), em Itabuna.

A coordenadora da Procuradoria do Trabalho do município, Drª Marselha Silverio, primeira palestrante do dia, questionou a desculpa dada pelo governo para a implantação da Reforma Trabalhista e classificou os motivos que levaram a sua promulgação como uma falácia.

“Os motivos dados pelos governantes para a implantação da Reforma Trabalhista foi de melhoria e ampliação da oferta de emprego. No entanto, agora, seis meses depois de implantada, os dados mostram que tais motivos eram uma falácia. O questionamento que fazemos é ‘a quem interessa uma reforma que agride bruscamente os direitos dos trabalhadores’?”, questionou.

Segundo o MTE, após seis meses de implantação da Reforma Trabalhista, houve uma queda de 1,2% de pessoas que trabalham com carteira assinada. Isso significa que 408 mil pessoas perderam seus empregos e, agora, vivem desempregados ou na informalidade.

Outro dado preocupante demonstrado, diz respeito aos acidentes de trabalho que podem aumentar drasticamente com essa reforma. De acordo com o MTE, baseado nos dados fornecidos pelo INSS, foram registrados de 2012 até hoje, cerca de 4.120.581 acidentes de trabalho. Isso equivale a um acidente a cada 48 segundos. Em Itabuna, são 1.084 acidentes com 13 mortes.

“As leis trabalhistas são umbilicalmente ligadas à saúde do trabalhador. O trabalho é uma forma do ser humano ter um meio de vida e não um meio de morte. Mas, infelizmente, os dados estão provando o contrário”, lamentou.

Outro ponto abordado pela Drª Marselha, diz respeito à terceirização, que está ligado tanto ao aumento dos acidentes de trabalho, como supracitado, como à precarização das condições de trabalho. De cinco trabalhadores mortos, quatro são terceirizados.

“Do ponto de vista do MTE, a terceirização sem limites gera uma precarização que se reflete numa maior rotatividade contratual, na redução da remuneração, como também no aumento da jornada trabalhista. Um absurdo!”, afirmou.

“A Reforma Trabalhista causa um impacto profundo na saúde do trabalhador e as pessoas ainda não se deram conta disso. A orientação do MTE é que haja resistência, pois todos esses dados tendem a piorar com essa reforma”, declarou.

 A segunda palestra foi proferida pelo técnico em segurança do trabalho, Luciano Martins, que falou da importância da CIPA no ambiente de trabalho, além da conscientização do trabalhador no seguimento das normas de segurança das empresas.  

“A CIPA tem como objetivo a prevenção dos acidentes de trabalho, com a criação de mapas de risco setoriais, dentre outros métodos. No entanto, essa é uma ação conjunta com os técnicos de segurança de trabalho que devem ter a compreensão, sobretudo, do próprio trabalhador, que não aceita e não segue as normas de seguranças indicadas pelos profissionais da CIPA”, informou.  

A especialista em Enfermagem do trabalho e coordenadora do Cerest/Itabuna, explicou quais são as ações do centro de referência na cidade, bem como quais são as demandas cabíveis pelo órgão na promoção do bem-estar do trabalhador na cidade.

O seminário foi encerrado pelo Técnico do Cerest, Wagner Wilson, que tratou da importância do preenchimento correto da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

“Esta foi uma tarde de muito aprendizado e de muita preocupação, também. Os palestrantes demonstraram que a situação do trabalhador não está fácil frente a esta reforma e é preciso salvaguardar a saúde do trabalhador para que este desempenhe suas atividades com conforto e segurança”, afirmou a coordenadora da Cist/Itabuna, Liamara Bricídio.  

 

*Bruno de Azevedo é jornalista, assessor de imprensa do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região, mestrando em Letras Linguagens e Representações da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

 

 


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