Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região - artigo_id:12278
Em 22/03/2018

FSM 2018: Um mar de diálogo e resistência

FSM 2018: Um mar de diálogo e resistência

Por Bruno de Azevedo*

 Quem teve o privilégio de participar do Fórum Social Mundial 2018, realizado este ano em Salvador, pôde se aventurar no mar agitado e revolto da resistência.

E não pensem que o cenário tempestivo das ondas era acompanhado do céu escuro e das nuvens densas; a pictografia do fórum representava a agitação alva da esperança de um novo amanhecer, em que as batidas constantes das ondas desenham as rochas à beira da praia. Metáfora simples que descreve a persistência contínua e natural do enfrentamento com os obstáculos da vida.

Durante cinco dias, pessoas de diversos países se reuniram na capital baiana com o objetivo de compartilhar experiências, de mostrar sua cultura, de conhecer o novo, de serem vistos e ouvidos como cidadãos que habitam um mundo que os veem como produto, ou até mesmo, não os veem.

Em muitos países, assim como no Brasil, o negro, a mulher, o índio, o LGBT, ou qualquer indivíduo que não pertença à classe branca abastada, está relegada ao canto da sala, aos porões dos navios, ao esquecimento. Vozes são caladas e vítimas são silenciadas por sistemas que teimam em classificar o humano não como um ser social, mas como um ser que produz.

Talvez essa tenha sido as razões de se escolher o tema “Resistir é criar, Resistir é transformar”. E, hoje, mediante a tanto ódio gratuito e tanta violência com o “diferente”, é necessária a resistência, sobretudo, a que gere transformação social.

Engana-se, no entanto, que esta transformação seja conquistada individualmente. O coletivo é que faz a diferença.

No fórum, presenciamos laços serem feitos por diferentes pessoas que habitam distintos lugares, mas que comungavam de semelhantes ideias. Projetos culturais, artísticos e sociais serem idealizados a partir do debate nas mesas de comunicação. Palestras, amostras e discursos voltados ao diálogo e a liberdade.

O lugar de fala nunca foi tão debatido e reivindicado. Não se quer mais a representação feita por outro, muitas vezes rasa e caricata. Se almeja o espaço do poder dizer, do poder falar, do poder ser. 

Não importa as lacunas ou os abismos sociais que separam os indivíduos. O segregacionismo irracional nunca leva a nada.

O Fórum Social Mundial deste ano reforçou a luta pelo diferente, que resiste, que cria e que transforma.

Lutar é preciso e resistir às intempéries é essencial na busca por igualdade de direitos e por uma sociedade justa e democrática. Avante!

 

* Bruno de Azevedo é jornalista, assessor de imprensa do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região, e mestrando do PPGLLR da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

 


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